Artigos PSB

PSB e a continuação de um projeto de nação: o trabalhismo...

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Por Cássio Moreira Em artigo anterior, mencionei o fato de o PT ser o maior partido trabalhista do país na atualidade e... leia mais

O Golpe de 1964 foi contra o Trabalhismo ...

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Por Cássio Moreira

Em primeiro de abril de 1964 acontecia o golpe civil-militar, ou para alguns a revolução de 31 de março, que depôs o presidente João Goulart. Jango, como era chamado, foi eleito pela segunda vez consecutiva vice-presidente. Sendo que da primeira vez fizera mais votos que o próprio JK. Com a renuncia de Jânio Quadros, presidente que se elegera em 1961 prometendo varrer a corrupção do país (a corrupção não foi inventada pelo PT como parte da mídia insiste em repetir) e que a elite o adorava pela suposta política antissindicalismo, Jango chegou a presidência após a valorosa Campanha da Legalidade. Para permitir que Jango assumisse a presidência, os conservadores modificaram o sistema político do país em tempo recorde (parecido com aquelas mudanças na constituição para permitir a reeleição, algo que se faz para impedir que governos de cunho popular cheguem ao poder). Após um período parlamentarista, Goulart retomou os poderes de presidente e partiu para as chamadas Reformas de Base.

Na época do golpe, conforme pesquisa do IBOPE, Jango contava com um bom índice de aprovação do seu governo. Entretanto, era acusado, principalmente por grande parte da grande mídia, de ser um presidente fraco, indeciso e de realizar um governo caótico e prestes a ser dominado pelos comunistas.

Entretanto, como a história é contada pelos vencedores, faltou dizer que o PTB antigo (em nada se parece com o atual) era o partido que mais crescia nas eleições e em breve teria maioria no congresso. A doutrina trabalhista ganhava as mesas de bares e o Brasil começava a ter seus ídolos (assim como outras potências como EUA e URSS com seus Washington, Lincoln, Roosevelt, Lênin, Trotski, Stalin). Nós teríamos o Dr. Getúlio Vargas e seus discípulos Jango e Brizola; Miguel Arraes entre outros. Esses eram alguns dos executores de um projeto que estava a ameaçar os interesses estrangeiros e de grande parte dos detentores do capital nacional.

O governo Jango, tinha uma sustentação política muito frágil. PTB (antigo) aliado a um PSD (não tão antigo assim). O primeiro, de base operaria, abrigava os chamados pelegos, apelido dado pelos mais radicais, e tinha forte apoio dos movimentos sindicais. O segundo, com base no latifúndio e na maquina estatal. Com as Reformas de Base, principalmente a agrária, essa aliança é rompida e o PSD corre para os braços do PSDB-DEM, digo, UDN.

É interessante observar que nomes ilustres de centro-esquerda apoiaram o golpe, tais como: Ulysses Guimarães e JK. Eles tinham a certeza que o regime que se instalaria após o golpe de 1964 seria breve e que logo em 1965 seriam marcadas novas eleições. Ledo engano… o golpe não era contra o governo “caótico” de Jango, tampouco contra a ameaça comunista, embora a maioria dos executores do golpe achassem que sim. O golpe, já tentado em 1954, 1955 e 1961, foi contra um projeto de país consubstanciado dentro do programa de um partido político, o PTB (antigo), e das Reformas de Base, ou seja, contra o Trabalhismo.

O golpe durou 20 anos, pois é um tempo mais que necessário para apagar uma doutrina; pois isso não se faz em poucos anos e sim em gerações. Por isso foram necessárias duas décadas de ditadura militar para varrer do mapa o pensamento trabalhista.

Infelizmente conseguiram…

Pasmem! Uma boa parte dos militantes e políticos de esquerda de hoje nunca leram Alberto Pasqualini, ademais alguns ainda atribuem ao trabalhismo (Getúlio e Jango) o termo “populismo”, mas não com sentido de popular, e sim, com o sentido pejorativo de demagogia.
Hoje a própria esquerda não sabe direito o que é. Alguns são comunistas e escondem a foice e o martelo. Outros são de extrema esquerda e seus projetos são: o não capitalismo e o… ??  Outros são um saco de gatos, digo, de correntes ideológicas. Outros são redutos de disputas entre deputados e caciques partidários de cargos, digo, de pensamentos diferentes. Por outro lado, a direita sabe o que é e o que quer. Ela quer manter o status quo da desigualdade social e do elitismo (complexo de inferioridade revestido de superioridade). Enquanto a direita se une. Boa parte da esquerda se torna antipetista !!!?

Parafraseando San Tiago Dantas. A esquerda hoje continua sendo dividida entre “negativa” e “positiva”. A primeira tem como seu “projeto” a critica feroz, mas nunca governou um município ou estado para ver que não é tão fácil governar. A segunda, é um conjunto de partidos que defendem um “projeto nacional de desenvolvimento” e/ou se dizem herdeiros do trabalhismo histórico: alguns tem comunista ou socialista no nome, outros tem trabalhadores na sigla, outros tem apenas o trabalhismo herdado na sigla e outros se dizem trabalhistas mas apoiam o PSDB em São Paulo e em Pelotas. Entretanto, todos defendem, embora alguns apenas em seus discursos e outros em sua prática (mesmo que, por vezes, de forma inconsciente), a doutrina trabalhista: não pregam a revolução e sim um capitalismo com justiça social.

Atualmente ser de esquerda ou direita está muito mais relacionado com o grau de intervenção do Estado na economia do que em relação à questão das multinacionais, do capital estrangeiro ou de fazer a revolução. Ademais, a obtenção do poder por um partido político não deve ser um fim, e sim, um meio para executar um projeto.

Para a chamada “esquerda positiva” sugiro o que diria um dos grandes pensadores da humanidade, Karl Marx, “uni-vos”! Nesse momento prol de um projeto de país consistente e viável: o trabalhismo.  Pode parecer que sou a favor do capitalismo, pelo contrário; acho um sistema com muitas falhas. Entretanto, acredito que apenas com o tempo, o avanço das inovações tecnológicas e da evolução espiritual é que vai surgir um sistema econômico viável, com liberdade, solidariedade e maior justiça social. Esse sistema ultrapassará o capitalismo, assim como esse o fez com o feudalismo. Acredito que ele ainda não tem um nome… mas, como diria Júlio Verne, ‘Tudo que um homem pode imaginar outros homens poderão realizar’.

OBS: o projeto trabalhista ficou adormecido durante o regime militar, tentou-se enterrá-lo com o atentado, digo, mandato de FHC e aos poucos sustento que foi retomado pelo governo Lula-Dilma (em relação às criticas a afirmação de que o governo Dilma é um governo trabalhista; insisto que, em outro contexto histórico, acredito que sim…e tenho pesquisado sobre esse tema. Data vênia, embora existem “reinos da verdade” espalhados por toda parte, essa é a minha opinião).

Cássio Moreira é economista, doutor em Economia do Desenvolvimento (UFRGS) e professor do IFRS – Câmpus Porto Alegre.www.cassiomoreira.com.br

 

Fonte: www.sul21.com.br

 

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